Chorei até dormir e acordei com um desânimo. Não queria ficar parada, mas também não queria me mexer. Achava que devia falar alguma coisa, mas, por mim, podia ficar o resto do dia quieta. Não tava com vontade de entrar na internet, não tava com vontade de nada.
Meus olhos doíam, minha cabeça doía e minhas pernas também.
"Deve ser assim uma depressão. Ou, pelo menos, uma ressaca." Depois de bater palmas pro meu próprio brilhantismo, peguei o notebook--minha canja virtual. Tudo igual, Copenhagen na mesma, os sites de relacionamento sem relações. Quando minha barriga começou a doer de fome, resolvi jantar. Estranhamente, senti a presença de um # invisível entre o corredor e a sala. Meus pais pareciam num universo paralelo. Minha mãe soltava umas frases aleges, meu pai assobiava o "Passo do Elefantinho", mas com certeza nem era comigo. Era só uma simulação de "O mundo sem Marina".
Aí eu senti uma dor. Uma_puta_dor. Não sei explicar onde, na junção do lado direito do quadril com a bunda, só sei que fiquei igual a mamãe. Mal pude andar. Fui até o banheiro toda tronxa, e depois pus o notebook na escrivaninha. Tirei a bateria e fui deitar. Acabei dormindo. acordei de madrugada com um apito, botei a bateria de volta e voltei pra cama ainda com a puta dor.
Acordei de novo, às 05:55. Não consegui dormir de novo, então peguei o notebook. A dor não parou, só ficou fraca. Dá pra sentar. Deve ser cãimbra. Sei lá.
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